Em uma pesquisa realizada para a SBCBM (Sociedade Brasileira de Cirurgia
Bariátrica e Metabólica) de julho a setembro de 2007 com amostra de 2.179
pessoas em cinco regiões brasileiras, foi possível observar alguns hábitos
frequentes entre os obesos.
É importante levar em conta que o objetivo é levantar recorrência de fatores
comportamentais que levam à obesidade, mas que características genéticas e
orgânicas também são determinantes para a ocorrência de obesidade.
Insatisfação
Somente 69% das pessoas com obesidade mórbida consideram-se felizes (vis-à-vis
77% das pessoas com peso normal). Mesmo para atividades sociais, o obeso mórbido
mostrou-se apático, mostrando-se, em média, neutro para a afirmação de que sair
com amigos é qualidade de vida.
Sendo a auto-estima e a socialização premissas, pelo senso comum, para o estado
de felicidade do ser humano, as estatísticas observadas mostram que a obesidade
prejudica o quadro emocional das pessoas por ela acometidas.
Dificuldades Encontradas
Entre os obesos mórbidos, foi expressiva a citação de problemas enfrentados no
dia-a-dia. 76% afirmaram que têm dificuldade para comprar roupas, 59% para
praticar exercícios físicos, 56% para subir escadas, 49% para amarrar os
sapatos, 44% para passar em roletas e 33% para acomodar-se em mobiliários.
Além disso, 34% dos obesos mórbidos entrevistados afirmaram que já sofreram
preconceito pelo excesso de peso, principalmente em meios de transporte,
ambiente escolar, trabalho, passeios com amigos, festas em geral e casa de
parentes.
Comprometimento da Renda
Os obesos mórbidos entrevistados afirmaram que gastam, em média, R$322,08 devido
ao excesso de peso, com despesas como atendimento médico, vestuário e exames. O
gasto mensal com convênio é 38,46% maior para os obesos mórbidos em relação a
pessoas com IMC normal.
Comparando os gastos anuais relacionados a problemas de saúde entre pessoas
obesas e com peso normal de, respectivamente, R$1.839,48 e R$740,52 mostram que
há um relevante comprometimento da renda devido à obesidade.
A procura pela Solução
Observe a tabela abaixo com respostas sobre incidência de problemas de saúde,
segundo as entrevistas:
|
Doença
|
Obeso Mórbido
|
Peso Normal
|
|
Hipertensão
|
70%
|
17%
|
|
Doenças coronárias
|
15%
|
2%
|
|
Insuficiência cardíaca
|
12%
|
2%
|
|
Colesterol elevado
|
24%
|
6%
|
|
Insuficiência respiratória
|
21%
|
3%
|
|
Apnéia do sono
|
15%
|
2%
|
Apesar de a incidência dos problemas de saúde exibidos acima ser 502% maior para
os obesos mórbidos em relação às pessoas com peso normal, a diferença da procura
por assistência médica entre os dois grupos não é tão diferente: 53% da
população em geral busca endocrinologista, enquanto 52% dos obesos leves e 69%
dos obesos mórbidos o fazem.
Hábitos de Alimentação
Tendo em vista que a obesidade é uma doença caracterizada pelo aumento excessivo
do peso corporal pelo acúmulo de tecido adiposo, os hábitos de alimentação são
um fator de extrema importância para a ocorrência ou não da obesidade. Essa
premissa é confirmada pelo fato de que 29% dos obesos mórbidos afirmaram comer
exageradamente, enquanto esse número é de somente 8% entre as pessoas com peso
normal.
A escolha de alimentos para ingestão também é um indicador da frequente
alimentação inadequada entre os obesos. 89% dos obesos mórbidos comem pão no
café-da-manhã e 18% no jantar. Somente 14% dos obesos comem peixe, enquanto 41%
das pessoas abaixo do peso o fazem.
O ato de “beliscar”, em geral com alimentos como coxinha, biscoitos salgados,
chocolate e biscoito doce – que são “calorias vazias” devido ao alto teor
calórico e baixo valor nutritivo – é expressivamente mais freqüente entre os
obesos. Veja ilustração a seguir:
Tentativa de regime
42% dos obesos mórbidos afirmaram que já mudaram seus hábitos alimentares para
fazer dieta e perder peso e, no momento da entrevista, 34% disseram estar
fazendo dieta.
A mudança de dieta é fundamental, pois é necessário que haja uma mudança de
estilo de vida. Mas a tentativa isolada de mudança de hábitos alimentares muitas
vezes não consegue manter a pessoa motivada, o que justifica altas taxas de
desistência observadas.
Veja um estudo comparativo entre pessoas que passaram por tratamento com dispositivo de silicone Orbera™,
colocado via endoscopia, e pessoas submetidas apenas a
dietas estruturadas (leia mais aqui)
.