Médicos realizam técnica inédita na região destinada ao emagrecimento
Ascava e Teles salientam
vantagem de procedimento que é reversível
A oferta de cirurgia bariátrica (diminuição do tamanho do estômago para perda de peso) nos hospitais vinculados ao SUS (Sistema Único de Saúde) aumentou 542% desde 2001, conforme apuração feita pelo Ministério da Saúde em 2008, divulgada recentemente. A cirurgia, no entanto, oferece riscos e é indicada somente a quem possui IMC (índice de massa corpórea) maior que 40.
Para os que estão no sobrepeso ou na obesidade leve e moderada, há uma técnica mais simples e menos invasiva. Trata-se do balão intragástrico, método inédito na região e que é oferecido em Tatuí pelos médicos Roberto Ascava e Juliano Teles. “Este é um procedimento pioneiro na região, que agora é realizado aqui. Poucas pessoas no Estado de São Paulo o fazem”, afirmou Ascava.
Teles explica que o balão é introduzido por via endoscópica, sem a necessidade de intervenção cirúrgica e nem mesmo de anestesia geral. No estômago, ele é insuflado com soro fisiológico, misturado com azul metileno (composto aromático). O volume varia de 400 a 700 mililitros, conforme o organismo de cada paciente. “O objetivo é aumentar a sensação de saciedade no paciente”, detalha Teles.
O procedimento também é indicado para pessoas com obesidade mórbida. Conforme Ascava, ele serve como pré-operatório, já que, em muitos casos, os pacientes precisam perder peso antes de se submeterem à cirurgia de redução de estômago. “Com o balão, a pessoa emagrece, tem uma melhora parcial e pode operar. Conforme a resposta do organismo, pode, ainda, evitar a cirurgia”, sustenta o médico.
O balão não oferece riscos ao paciente, mas pode provocar incômodos temporários. Uma vez submetido à técnica, o indivíduo fica duas horas em observação. As reações, normalmente, são náuseas, dor e vômitos. “Em quadros de vômitos fortes, o paciente fica internado por 24 horas, para sair do processo agudo”, disse Teles. Segundo ele, em 90% dos pacientes as reações são mínimas.
As dores, conforme o médico, são suportáveis e tratadas por medicamento via oral. “Elas podem durar de dois a três dias, prazo para que o paciente volte à atividade normal”. Os incômodos, conforme ele, são compensados com os resultados. “Com a perda de peso, as pessoas recuperam a autoestima”.
O balão pode ficar no estômago do paciente por até seis meses. Ele possibilita que as pessoas que estão com sobrepeso possam emagrecer sem a necessidade de medicamentos. “O balão é ideal para quem não tem indicação para fazer a cirurgia bariátrica, mas está desesperado, tomando remédios que causam efeitos colaterais, porque não consegue emagrecer de jeito nenhum”, afirmou Teles. Conforme ele, com a redução do peso, o paciente tem ganho na saúde. O sobrepeso provoca hipertensão, alteração dos níveis do colesterol e doenças cardíacas.
A vantagem do balão intragástrico em relação aos demais procedimentos para perda de peso é que ele é totalmente reversível. “Ele não mexe com a anatomia do estômago, como acontece numa cirurgia de redução, e pode ser retirado quando a pessoa desejar, depois de cinco dias ou de seis meses”, conta Ascava.
Além de representar um tratamento mais eficaz na perda de peso, o balão evita que as pessoas com sobrepeso ou obesidade leve engordem para chegar ao IMC necessário à cirurgia de redução do estômago. “Orientamos esse tipo de paciente no sentido de ser mais saudável a perda de peso do que ele engordar para ser submetido à cirurgia de obesidade. E, para tal, o balão é um instrumento importantíssimo, já que, aliado a um trabalho conjunto de diversos profissionais, restabelece a conduta correta para a perda de peso”, argumentou Ascava.
Fonte:
O Progresso de Tatuí
Data:
27/3/2009
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