Explode número de cirurgias de obesidade
Notícia veiculada hoje (22/03/2009) pelo jornal O Estado de São Paulo (pág A28) aponta para o aumento expressivo no número de cirurgias para tratamento da obesidade mórbida realizadas no país nos últimos anos. O artigo destaca, entre outros aspectos, a importância da mudança de hábitos alimentares e do combate ao sedentarismo para que o resultado atingido com a cirurgia se mantenha ao longo dos anos, bem como de centros especializados, com equipe multidisciplinar, para acompanhamento adequado dos pacientes operados. Faz breve comentário sobre a cirurgia da Banda Gástrica Ajustável, “...procedimento (que) consiste em introduzir um anel de silicone na entrada do estômago....” , mas “.... não funciona se o paciente continua ingerindo a mesma quantidade de calorias....”.
O artigo acerta ao apontar a necessidade de reeducação alimentar com necessidade de redução ingestão de calorias para que se obtenha sucesso com este método. Afinal, esta é a recomendação de todos os especialistas que utilizam este método nos quatro cantos do mundo, e que já foi discutida na vasta literatura medica que trata do assunto.
Entretanto, comete imprecisões, que precisam ser corrigidas, para melhor compreensão do público leigo, ao qual se dedica a reportagem e que busca para si o tratamento mais adequado para uma doença grave e epidêmica como a obesidade:
1- A banda não é simplesmente um “anel de silicone”, mas uma cinta ajustável, por meio da qual a restrição alimentar vai sendo aumentada progressivamente, permitindo uma adaptação gradativa e individualizada aos novos hábitos alimentares . A banda só “funciona bem” quando está bem ajustada e o paciente segue as orientações passadas pela nutricionista. Daí a importância do acompanhamento; pacientes que não vem fazer os ajustes ou que não seguem as orientações estarão fazendo o tratamento de maneira incompleta e, portanto, terão resultados menos satisfatórios.
2- O procedimento não está “....deixando de ser realizado...” como sugere o artigo.
No Brasil sua utilização é ainda pequena, em comparação a outros métodos. Os fatores relacionados a isso são:
A- Baixo nível de conhecimento da população sobre o método, conforme destacado pela pesquisa da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica sobre o perfil do obeso no Brasil e citada na reportagem (“...O Brasil tem, segundo a SBCBM, 3,7 milhões de obesos mórbidos....”).
B- A visão equivocada que muitos pacientes e alguns médicos tem acerca do procedimento, no qual se busca um resultado rápido e milagroso ( “....A cirurgia vem sendo banalizada..”, “...pacientes que querem um resultado rápido vão direto ao cirurgião bariátrico...”). Na cirurgia da banda gastrica a perda de peso é mais lenta e depende mais da mudança de hábitos alimentares do paciente, o que não encontra respaldo naqueles que acham que não conseguem ou não desejam mudar seus hábitos ( “.... continuava comendo um kilo de feijoada e 600ml de coca-cola) e que muitas vezes acabam procurando métodos não reconhecidos pelas sociedades médicas e que tem caráter apelativo (“...Minha técnica ... permite a pessoa comer de tudo...”).
C- Em muitos países Europeus (França, Itália, Alemanha, República Tcheca, Áustria), apesar do aumento do número de cirurgias de Bypass realizadas nos últimos anos, a Banda Gástrica continua sendo o método mais utilizado. Na Austrália a Banda Gástrica é o método aplicado em 90% dos paciente, inclusive na rede pública, aonde recebem tratamento multidisciplinar que é modelo para o mundo. Nos Estados Unidos, o país aonde mais cirurgias para obesidade são realizadas por ano (+/- 170.000), representa atualmente 40% dos procedimentos, aumentando a cada ano. A procura por este método se explica pelo baixo risco de complicações, por ser totalmente reversível e por não causar distúrbios nutricionais (falta de vitaminas, proteínas ou anemia), apesar da perda de peso, em média, menor.
Assim sendo, a Banda Gástrica Ajustável é um procedimento de eficácia comprovada no tratamento da obesidade severa, reconhecido pelo CFM e sociedades médicas nacionais e internacionais, e que deve ser contemplado entre as opções de tratamento cirúrgico para esta doença grave, mas preferencialmente realizado por centros especializados, para que os melhores resultados sejam obtidos.
Dr. Denis Pajecki
Você pode ler o texto da reportagem do Estado de São Paulo na íntegra aqui.
Fonte:
Dr. Denis Pajecki
Data:
22/3/2009
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